Tratando a tripofobia: a resistência é a chave para a recuperação
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A fobia se espalha pela internet
O trabalho é artificial, mas a sensação é real, sinalizando o surgimento de um novo problema psicológico: a tripofobia, ou medo de objetos agrupados. Isso se refere a uma aversão a pequenos orifícios ou pontos densamente agrupados, normalmente encontrados em matéria orgânica, como doces, chocolates ou bolhas na massa de ovos, que provocam um medo inexplicável.Atualmente, a maioria dos psicólogos permanece um tanto perplexa com a tripofobia...
Quem sofre de fobia exagera o perigo
A fobia é um transtorno de ansiedade caracterizado pelo medo persistente de um objeto ou situação específica, levando os indivíduos a evitá-la a todo custo. Esse medo é muitas vezes irracional, pois o perigo percebido é normalmente muito menos grave do que se imagina. No entanto, se os portadores não conseguem evitar o objeto temido, eles experimentam um sofrimento significativo, afetando gravemente as interações sociais, o trabalho e a vida acadêmica.Em crianças, isso pode se manifestar como choro, birras, isolamento ou medo paralisante. As fobias estão intimamente ligadas ao ambiente temido. Por exemplo, alguém com medo de ratos não teria fobia de ratos se vivesse em uma área livre de ratos, embora a simples ideia de ratos ainda pudesse causar desconforto.Quanto mais perto o paciente se aproxima do objeto temido, ou quanto mais difícil é escapar dele, maior se torna o nível de ansiedade. Por exemplo, alguém com medo de elevadores experimenta pico de ansiedade quando o elevador está entre andares. As fobias variam muito entre os indivíduos: alguns experimentam apenas ansiedade leve e conseguem lidar com ela evitando o objeto temido, enquanto outros sofrem ataques de pânico. A maioria das pessoas entende que esse medo é irracional, mas é incapaz de suprimir suas reações de medo.
As fobias dividem-se amplamente em três categorias:
A fobia social está relacionada com a presença de outras pessoas, causando extremo embaraço ou tensão em ambientes sociais — como medo de comer ou beber em público, ou incapacidade de urinar quando há outras pessoas por perto.
A fobia específica envolve ansiedade grave desencadeada por um objeto ou situação particular, como medo de aranhas, cobras, cães, alturas, voar...Embora as pessoas comuns possam ter algum receio em relação a essas coisas, isso não chega ao ponto de intolerância total experimentada por quem sofre com fobias. Agorafobia: sair de casa ou de ambientes familiares desencadeia ataques de pânico. O medo de espaços abertos, o medo de infecções por germes ou o medo de lugares associados a traumas passados se enquadram nessa categoria. Causas: o medo é um resultado evolutivo. Em termos evolutivos, o medo tem uma finalidade para os animais.Por exemplo, o medo leva os animais a evitar cobras e aranhas venenosas; o pavor de terrenos abertos ensina as criaturas a se esconderem dos predadores; a ansiedade social levou nossos ancestrais a fugir de grandes grupos de estranhos sérios que os encaravam – claramente com más intenções.
Pesquisas extensas sugerem que as fobias derivam de respostas condicionadas. Por exemplo, visitar um local onde se assustou com um trovão repentino pode inconscientemente ligar as duas experiências, fomentando o medo desse lugar.Da mesma forma, a acrofobia pode resultar de uma lesão sofrida em altura ou de uma experiência profundamente desagradável, como ficar preso no topo de um elevador panorâmico, levando a uma aversão a trabalhar em escritórios em arranha-céus. Os reflexos condicionais também podem se formar indiretamente — ouvir outras pessoas descreverem perigos ou aprender sobre incidentes assustadores pode instilar medo. Pesquisas em neurociência indicam que essas respostas envolvem a amígdala e o hipocampo do cérebro.
Agrupamentos de pequenos pontos parecem herpes contagioso
A tripofobia é uma das inúmeras fobias da humanidade. Uma internauta contou que a sua aversão a agrupamentos remonta à infância, desencadeada pelo cabo densamente perfurado de uma espada de brinquedo.Outro utilizador contou ter sido picado por uma abelha na coxa durante o ensino secundário; a pele inchada revelou poros individuais, deixando-o incapaz de suportar a visão de pequenos buracos agrupados desde então. O Sr. Lin, de Guangzhou, descreveu uma experiência de infância em que, dormindo profundamente com o braço exposto fora do edredão, os mosquitos deixaram uma fileira de picadas densamente agrupadas — uma memória que ainda o enche de repulsa.
No entanto, muitos psicólogos não reconhecem a tripofobia como uma fobia genuína. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quarta Edição (DSM-4), uma fobia deve prejudicar significativamente o funcionamento de um indivíduo. Embora imagens ou vídeos de pequenos orifícios agrupados possam ser perturbadores, eles não interferem na vida diária.Martin Anthony, ex-presidente da Associação Canadiana de Psicologia e psicólogo da Universidade Ryerson, sugere que a tripofobia pode ser explicada por vários fatores comuns que desencadeiam o medo:
Experiências traumáticas, como ter medo de cães depois de ser mordido. Pequenos buracos no corpo nos lembram subconscientemente de doenças infecciosas que afetam a pele, como erupções cutâneas de sarampo ou bolhas de varicela, que estão associadas a experiências dolorosas.Ao ver imagens de «seios irregulares» ou «dedos vazios», os espectadores imaginam-se involuntariamente afetados por tais «doenças», o que desencadeia um desconforto incontrolável. Aprendizagem observacional: testemunhar o medo de altura de outras pessoas pode induzir a própria vertigem. A fobia à desordem parece contagiosa — alguns internautas relatam não ter consciência prévia da sua aversão até clicarem nas imagens após lerem os comentários de outras pessoas, ficando surpreendidos.Ao assistir a uma comédia, se as pessoas ao seu redor estiverem a rir, você também vai rir. Da mesma forma, se as pessoas próximas estiverem com medo, você também vai sentir medo.
Exposição à informação: assistir a muitos filmes de terror pode fazer com que a pessoa tenha medo do escuro. Quando os principais fóruns online republicaram a imagem dos «seios em forma de vagens de lótus», eles invariavelmente incluíram esta história:Uma cientista que explorava a floresta amazónica notou uma inflamação no seio e consultou o médico que a acompanhava. Ele apenas aplicou um penso, mas quando o removeu uma semana depois, tinha-se transformado nisto. Almas mais maliciosas associaram os «seios em forma de vagens de lótus» à miíase, alegando que se tratava de uma ulceração horrível causada por larvas de moscas que parasitavam o seio — naturalmente aterrador para quem não está informado.
Fatores biológicos: algumas pessoas são naturalmente propensas à ansiedade. O medo e a náusea são inseparáveis; de uma perspectiva evolutiva, quase todas as coisas que provocam náusea — como aranhas, ratos, sangue ou vómito — podem desencadear o medo de doenças. Agrupamentos de pequenos orifícios podem funcionar de forma semelhante, levando as pessoas a perceber pontos semelhantes a marcas de varíola como sinais de perigo anormais, provocando assim uma repulsa intensa.
É claro que tudo isso continua sendo conjectura, já que a compreensão humana da tripofobia ainda é limitada.
Tratamento:
A resistência é fundamental para a recuperação.
Os terapeutas empregam várias abordagens: alguns expõem os pacientes a gatilhos simulados ou imagens guiadas de objetos temidos, gradualmente dessensibilizando-os por meio de técnicas como a dessensibilização sistemática.Outros empregam terapia cognitivo-comportamental, incentivando os pacientes a desafiar pensamentos e crenças irracionais, concentrando-se nas suas próprias sensações. Ambas as abordagens produzem resultados favoráveis; estudos indicam que a terapia cognitivo-comportamental elimina as respostas de medo em 90% dos pacientes, embora o tratamento exija suportar algum desconforto.
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