Mais de 70% dos acidentes de cirurgia plástica resultam de práticas ilegais em salões de beleza
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Estatísticas recentes divulgadas pela Associação de Consumidores da China revelam que «os procedimentos cosméticos desfiguraram 200 000 rostos na China na última década». Embora esta estatística chocante possa parecer alarmante, é considerada comum na indústria médica estética profissional. Especialistas entrevistados recentemente afirmaram que o estado caótico da cirurgia estética é em grande parte atribuível à aplicação inadequada das regulamentações pelos órgãos reguladores do governo.
Os especialistas indicam que 70 a 80% desses 200.000 procedimentos foram realizados em salões de beleza. Essas pessoas que buscavam melhorias se submeteram a tratamentos em ambientes não médicos, realizados por profissionais não qualificados e com produtos não autorizados. No Nono Hospital Popular, 30% dos casos ambulatoriais diários envolvem desfiguração causada por procedimentos cosméticos, a grande maioria resultante de procedimentos estéticos ilegais. "Tal caos persiste desde 2007, sem sinais de melhora, o que é profundamente preocupante», comentou ele. Regulamentação frouxa alimenta seguimento cego do público Anteriormente, o The New York Times relatou que a China se tornou o terceiro maior mercado de cirurgia estética do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil. Somente em Xangai, 600 000 a 1 milhão de pessoas visitam clínicas de cirurgia estética anualmente, com 300 000 a 400 000 se submetendo a procedimentos.Práticas ilegais, aliadas a lucros exorbitantes, alimentaram a proliferação de estabelecimentos estéticos privados, que normalmente apresentam três características principais: instalações não médicas, profissionais não médicos e canais de abastecimento de medicamentos não regulamentados.
As plataformas online estão repletas de injeções estéticas médicas regulamentadas pelo Estado. Uma injeção clareadora falsificada, adquirida através de canais ilícitos, custa apenas cerca de 70 yuans, enquanto o produto genuíno aprovado pelo Estado é vendido por três a quatro mil yuans.«Onde antes não havia regulamentação, agora que ela existe, as práticas cosméticas ilegais continuam a ser comuns, sem sinais de diminuir», afirmam os especialistas. A prevalência atual de procedimentos cosméticos ilegais justifica reflexão e vigilância por parte das agências de aplicação da lei relevantes.
A par da aplicação laxista da lei, a publicidade cosmética exagerada alimenta ainda mais esta tendência.
Principais procedimentos ilegais em salões de beleza
Primeiro, injeções para aumento dos seios ou rinoplastia. Embora os esteticistas garantam a segurança aos clientes, os riscos são substanciais. O chamado aumento dos seios em muitos salões envolve a injeção de produtos químicos sintéticos no peito, o que pode causar reações adversas graves. As taxas de insucesso são elevadas, representando 75% das reclamações anuais relacionadas com cirurgias estéticas na China.
Em segundo lugar, as injeções de toxina botulínica, comumente conhecidas como «injeções para emagrecer o rosto», usadas para redução de rugas e contorno facial. De acordo com os regulamentos nacionais, apenas os hospitais possuem as qualificações necessárias para administrar toxina botulínica; os salões de beleza são expressamente proibidos de fazê-lo. Além disso, os requisitos para os profissionais são excepcionalmente rigorosos: além de obter as certificações relevantes, eles devem possuir ampla experiência profissional.Muitos salões exploram a assimetria de informação, atraindo mulheres com preços baixos para injeções de emagrecimento. Durante os procedimentos, mesmo pequenos erros podem causar espasmos musculares faciais, resultando em expressões distorcidas — uma consequência menor em comparação com riscos que podem pôr a vida em risco.O fotorejuvenescimento é altamente seletivo e inadequado para a maioria das pessoas. Ele só é apropriado para duas categorias: pessoas com problemas visíveis na pele, como pigmentação, sardas, telangiectasia ou eritema observável; e pessoas com rugas ou poros dilatados. Pessoas com tons de pele mais escuros ou predisposição à hiperpigmentação devem evitar absolutamente o fotorejuvenescimento, pois ele acarreta um alto risco de queimaduras na pele ou de desencadear uma nova produção de pigmentos.Além disso, o gel refrescante aplicado antes do tratamento é caro. Para economizar dinheiro, a maioria dos salões costuma substituí-lo por produtos não regulamentados, o que pode causar descoloração da pele ou até infecções bacterianas.Estes procedimentos podem parecer simples e rápidos de realizar. No entanto, apresentam complicações potenciais significativas. Os regulamentos estipulam que cada agulha deve ser utilizada apenas para um cliente, com os procedimentos realizados num ambiente estéril. Na realidade, muitos salões reutilizam agulhas em vários clientes e o ambiente está longe de ser estéril. Esta prática aumenta significativamente o risco de infeção, resultando, na melhor das hipóteses, em pequenas cicatrizes e, na pior das hipóteses, no crescimento de tecido semelhante a granulação.
Quinto, procedimentos de lipoaspiração. Na realidade, muitos profissionais de salões de beleza não têm formação médica clínica, confiando apenas na «intuição» durante as operações. Os riscos intraoperatórios e pós-operatórios são elevados. Por exemplo, uma técnica inadequada pode danificar os vasos sanguíneos, permitindo que a gordura entre no sistema circulatório e potencialmente chegue ao coração. Além disso, a remoção excessiva de gordura acarreta o risco de perda significativa de sangue, podendo levar à insuficiência circulatória.
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