Perspetiva psicológica: a atração sexual hereditária realmente existe?
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Ultimamente, acontecimentos bastante peculiares têm ocorrido à nossa volta. Recentemente, uma mãe americana de 32 anos chamada Misty Atkinson tem defendido a noção de «atração sexual hereditária» para justificar a sua relação incestuosa com o seu filho biológico de 16 anos! A psicologia realmente reconhece tal conceito? Essa afirmação tem fundamento na ciência psicológica ou é mero disparate?A psicologia possui os seus próprios julgamentos e perspetivas científicas...
Exemplo:
De acordo com uma reportagem de 22 de junho do site britânico Daily Mail, uma mãe e um filho na Califórnia recentemente se envolveram em comportamento incestuoso. A mãe foi condenada a quatro anos e oito meses de prisão, mas ela insiste que não se tratava de incesto, mas sim de um caso de «atração sexual hereditária».
A mãe, Misty Atkinson, de 32 anos, perdeu a custódia do filho após o divórcio do ex-marido, resultando numa separação de 15 anos. No final de 2011, ela localizou o filho, então com 16 anos, através do Facebook, após o que trocaram mensagens inadequadas e sugestivas.Mais tarde, incapaz de suportar a violência doméstica do seu companheiro, Atkinson denunciou o abuso à polícia. Foi após este incidente que ela começou a ter contacto sexual com o seu filho biológico. A relação só veio a lume quando os familiares do rapaz, tendo notado trocas sugestivas frequentes entre ele e Atkinson no Facebook, alertaram as autoridades.
Em 2 de março deste ano, a polícia descobriu a mãe e o filho incestuosos num motel da Califórnia. Imagens de vídeo recuperadas do telemóvel do rapaz mostravam Atkinson a fazer sexo oral no filho. Documentos judiciais revelaram ainda que ela tinha enviado fotografias nuas de si mesma para ele.
Numa carta ao tribunal, Atkinson alegou que esses atos não constituíam incesto. «Não acredito que deva arcar com a responsabilidade legal por essas ações, pois não se trata de incesto, mas sim de uma forte atração sexual genética. Se os parentes ficarem separados por um longo período, metade deles se envolverá nesse tipo de comportamento após a reunião.»
I. O que é «atração sexual hereditária» e ela existe?
Origem:
A expressão «atração sexual hereditária» foi cunhada por Barbara Gonia, que ficou surpreendida com os pensamentos lascivos que surgiram quando se reuniu com o seu filho, agora com 26 anos, que ela havia abandonado quando era bebê.O seu desejo pelo filho nunca se concretizou, pois ele não retribuiu o seu afeto e, depois de ela se casar, os seus sentimentos por ele começaram a desaparecer.
Num livro de sua autoria, ela ofereceu esta explicação para o fenómeno: «Esse amor romântico e pensamentos sexuais podem ter origem na falta de intimidade precoce entre a mãe e o recém-nascido, ou na necessidade de compensar mais tarde na vida a privação emocional experimentada quando os irmãos foram separados por meio de acolhimento familiar na infância. Muitas pessoas que enfrentam essa situação precisam, na idade adulta, experimentar a intimidade que deveria ter ocorrido no início da vida. Essa relação pode ou não evoluir para uma relação sexual.»
Evidência 1: Pesquisa no mundo real
Nos kibutzim israelenses (comunidades coletivas), as crianças são agrupadas por idade, em vez de laços sanguíneos ou outras relações. Um estudo sobre casamentos entre membros do kibutz descobriu que apenas 14 dos 3.000 casos envolviam indivíduos que se casaram dentro de sua coorte etária original.Nenhum desses 14 casais tinha sido criado junto durante os primeiros seis anos de vida. Isto destaca um ponto crucial: o ambiente de desenvolvimento durante os primeiros seis anos é um período crítico. Se esse período crítico estiver ausente — por exemplo, quando irmãos biológicos criados em ambientes separados se encontram mais tarde — eles podem sentir atração sexual um pelo outro. Esse fenómeno é denominado atração sexual genética.
Evidência 2: Mitologia como história
Histórias de casamentos entre irmãos aparecem pela primeira vez em várias mitologias. Na mitologia chinesa, Fuxi e Nüwa, irmão e irmã, casaram-se e tiveram filhos, tornando-se os progenitores de toda a humanidade. Da mesma forma, Osíris e Ísis na mitologia egípcia, e Zeus e Hera na mitologia grega, eram irmãos que se casaram.Os Registros do Grande Historiador documentam que, durante o período da Primavera e do Outono, Wen Jiang, filha do duque Xi de Qi, teve relações incestuosas com seu meio-irmão, o duque Xiang de Qi.
Além desses mitos antigos, narrativas semelhantes aparecem frequentemente em dramas contemporâneos. Muitas vezes, irmãos separados por anos se reencontram inesperadamente e se apaixonam, apenas para enfrentar um choque repentino ao descobrir a verdade — levando um ou ambos à loucura ou à separação em agonia. Hegel observou: «O que existe é racional.» Se o drama espelha a vida, de onde vem essa racionalidade?
II. Como ocorre a atração sexual hereditária?
—Sobre «atração hereditária» e «atração sexual hereditária»: a semelhança genética aumenta a atração mútua
Um toque de psicologia:
Geralmente, as pessoas sentem-se mais atraídas por aqueles que se assemelham fisicamente a elas, percebendo-os como mais atraentes e confiáveis.Ao procurar parceiros, os indivíduos também favorecem aqueles com interesses comuns e personalidades compatíveis. Parentes consanguíneos frequentemente exibem semelhanças significativas de caráter, tornando esse fenômeno comum. Quando a atração sexual genética ocorre entre pais e filhos, os pais frequentemente projetam o afeto conjugal nos seus descendentes, pois é muito provável que os filhos herdem traços dos parceiros dos pais — tanto na aparência quanto no temperamento.
Os antropólogos teorizam que indivíduos intimamente relacionados partilham uma composição genética semelhante e muitas vezes apresentam características físicas, personalidades e interesses comparáveis, tornando a atração mútua mais provável. Entre indivíduos do mesmo sexo, isso promove um forte senso de identificação denominado «atração genética»; entre sexos opostos, evolui para «atração sexual genética».
III. Controvérsia na comunidade psicológica:
Argumento a favor: Pesquisas psicológicas indicam que a «atração sexual genética» realmente existe. Um relatório de 1995 publicado no British Journal of Medical Psychology afirmou: «As relações entre as pessoas estão ligadas às suas percepções umas das outras, muito semelhante aos laços familiares. Ambas as partes passam por um teste ético. Esta relação é interativa e inefável.»Os investigadores ficaram surpreendidos ao descobrir que mais de 50% das crianças criadas noutro local sentiam impulsos sexuais intensos em relação à sua família biológica após o reencontro.»
Opinião contrária: O Efeito Westermarck demonstra que a chamada atração sexual é um disparate completo!
O Efeito Westermarck afirma que duas crianças criadas juntas desde tenra idade não desenvolverão atração sexual uma pela outra na idade adulta.Este fenómeno foi proposto pelo antropólogo finlandês Edvard Westermarck na sua obra The History of Human Marriage (A História do Casamento Humano).O efeito Westermarck foi observado em diversas regiões e contextos culturais, incluindo as comunidades coletivas kibutz israelitas, o costume das noivas infantis na China e outras famílias com laços sanguíneos. Este fenómeno é considerado uma adaptação evolutiva desenvolvida para impedir relações consanguíneas.
Evidência:
Pesquisas sobre o sistema de noivas infantis na China revelaram que meninas mais jovens eram levadas para as casas para serem criadas ao lado de seus noivos. Os estudos de Westermarck descobriram que essas noivas infantis normalmente resistiam a tais casamentos ao atingirem a idade adulta. Mesmo quando forçadas à união, esses casamentos raramente se mostravam harmoniosos, com taxas de fertilidade feminina em declínio — provavelmente devido à ausência de atração sexual mútua.
Perspetivas psicológicas:
Freud propôs que os membros da mesma família possuem um desejo sexual inato uns pelos outros, exigindo tabus sociais contra o incesto.
Westermarck argumentou que os seres humanos desenvolvem ativamente aversão a potenciais parceiros através da educação partilhada.
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